A realidade do direito ao aborto

A legalização aumenta o número de abortos?
Não. O número até diminuiu nos países em que a legalização veio acompanhada de educação sexual e acesso aos serviços de saúde e aos métodos anticoncepcionais.

O aborto é considerado crime em todo o mundo?
Não. Em mais de um terço dos países no mundo, especialmente nos chamados países desenvolvidos, o aborto é legalizado. Na América Latina, o aborto é permitido em Cuba, nas cidades do México, na Guiana Francesa. No Uruguai
foi aprovado no Congresso e vetado pelo Presidente.
É verdade que a maioria das mulheres que fazem aborto são jovens e solteiras?
Na realidade, mulheres de todas as idades, casadas e solteiras fazem aborto. Pesquisa realizada em 2007 pela UnB demonstrou que a maioria das que abortam são casadas, mães, trabalham fora, têm, em média, de 20 a 29 anos, são católicas, têm alguma escolaridade e decidem pelo aborto com o parceiro.
O aborto é sempre tramáutico para a mulher?
Não. Em realidade, o aborto torna-se traumático ou não dependendo das condições em que é realizado. Os abortos realizados na clandestinidade e em péssimas condições, com objetos pontiagudos, com ervas ou medicamentos sem acompanhamento médico, podem trazer complicações à saúde e se tornarem traumáticos.
Como o aborto é clandestino, mesmo feito em clínicas seguras, a mulher pode ficar apreensiva ou com medo. É comum também as mulheres serem maltratadas pelos profissionais de saúde quando chegam no hospital em situação de abortamento, e isso as deixa humilhadas e com baixa auto-estima.
A propaganda de setores da Igreja, especialmente da Católica, tratam as mulheres que recorrem ao aborto como criminosas e pecadoras. Se não houver um espaço para ela entender que o que ela fez foi tomar uma decisão que
é um direito dela, ela se sentirá culpada.
Com a legalização todas as mulheres vão fazer aborto?
Não. A legalização do aborto não obriga ninguém a fazê-lo, cada uma decide a partir de seus valores e sua religião. As
que decidem pelo aborto devem ser respeitadas em sua decisão, sem correr risco de saúde, morte ou de prisão.
Nenhuma mulher faz aborto porque gosta. Fazer aborto pode ser uma decisão difícil para muitas mulheres, sem contar que, mesmo bem feito, o aborto é um procedimento médico realizado em hospital que ninguém quer enfrentar a todo momento. O aborto acontece sempre como último recurso frente à gravidez indesejada.
É verdade que se todas as mulheres tivessem acesso a métodos contraceptivos, não precisariam da legalização do aborto?

Na realidade, a gravidez indesejada sempre existirá, porque os contraceptivos falham, seja pelo mal uso ou por falha
do próprio método.
Muitas vezes, os parceiros, maridos ou namorados se negam a usar preservativos, e/ou obrigam as mulheres a terem relações sexuais sem desejar. Outras mulheres engravidam em decorrência de estupro.
Algumas igrejas estimulam o não uso de anticoncepcionais e preservativos, o que coloca as mulheres em risco de engravidar e de pegar doenças sexualmente transmissíveis.
E possível fazer aborto até o nono mês?
Isto não existe, é propaganda enganosa.
Há grupos religiosos, majoritariamente católicos, distorcendo a verdade para criar terror e difundir o ódio contra as
mulheres que necessitam abortar.
Em nenhum país do mundo em que o aborto é legalizado há permissão para que se realize aborto até o nono mês. Até porque, depois do quinto mês, é nascimento: a criança já tem condições de viver fora do corpo da mãe. Dizer que as mulheres fazem aborto aos nove meses é uma forma de manipular e passar falsas informações para chocar a população e ter apoio para fazer retroceder o direito das mulheres.

Projetos para a legalização do aborto em tramitação no Congresso Nacional.

É importante esclarecer que há vários projetos sobre o tema do aborto no Congresso Nacional. O último projeto apresentado para a legalização do aborto foi resultado do trabalho de uma comissão especial que incluía integrantes dos poderes executivo e legislativo, e a participação da sociedade civil. Este projeto indica que o aborto pode ser feito até a 12ª semana por decisão da mulher e até a 20ª semana, nos casos em que a gravidez é decorrente de estupro ou põe em risco a vida da mãe.
Os grupos de mulheres que lutam pela legalização do aborto respeitam a vida?
Sim, as mulheres ao longo da história tem defendido radicalmente a vida, tem cuidado dos filhos, exercido muitas jornadas de trabalho para o sustento da família – aumenta a cada dia o número de mulheres chefes de família. Ou seja boa parte do ônus da defesa da vida das pessoas tem caído sobre as costas das mulheres.
O movimento de mulheres defende o direito de decidir a interromper uma gravidez indesejada, garantindo a vida de todas as mulheres. Ser mãe é um direito, não pode ser uma obrigação!

A Maioria das mulheres que abortam tem de 20 a 29 anos de idade, tem união estável, são católicas, com pelo menos 1 filho e são usuárias de métodos anticoncepicionais.
Fonte: Dados UNB

Em 2005 foram realizados 1.054.242 abortos ( hum milhão e cinquenta e quatro mil duzentos e quarenta e dois ) abortos.
Fonte: Dados SUS

Mais de 70%das mulheres que decidem abortar vivem uma relaçao considerada estável ou segura.

Mais da metade das mulheres jovens adultas que abortam declaram o uso de metodos em particular a pílula.
Fonte: Aborto e saúde publica -20 anos de pesquisa no Brasil -Brasília 2008 – MS

As mulheres são seres humanos com direito a tomar decisões sobre sua vida com autonomia. A criminalização não evita o aborto no Brasil. Aqui, são realizados cerca de 1 milhão de abortos por ano. Muitas mulheres vão parar no hospital com complicações para a sua saúde. Segundo o Ministério da Saúde a prática de aborto inseguro é a terceira causa da morte materna.
O movimento de mulheres entende que é inaceitável a morte de mulheres por aborto. O Estado tem que proporcionar todas as condições para que a mulher que decide pelo aborto possa fazê-lo no serviço público com segurança. Nenhuma Mulher deve ser presa, humilhada, perseguida ou maltratada por ter feito aborto!
Frente Paulista pelo fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto
Contato:  frentelegalizacaoabortosp@gmail.com
Apoio:
Actionaid Brasil

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s